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Trumpalhadas, o poder das palavras

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O candidato mais polémico às Eleições Presidenciais dos EUA, Donald Trump, voltou a fazer declarações na linha das muitas que tem feito nos últimos meses, e que lhe têm garantido até agora a liderança das sondagens – com destaque para a recente “Super Terça-feira” – na corrida do Partido Republicano.

Toda a informação, discursos e declarações produzidas pelo candidato republicano têm utilizado técnicas de storytelling para envolver os espectadores e eleitores. Começa pelo início, salta para o fim e volta ao início, ignorando totalmente o meio. Para induzir a audiência a pensar uma coisa no princípio e surpreendê-la no final. Para poder fazer twists pelo meio. Para ir trazendo factos/ personagens novas à narrativa. Para nos manter agarrados ao ecrã, de boca aberta a cada reviravolta.

Vivemos um momento no qual as grandes narrativas se constroem sobre as respostas que podemos dar às expectativas das pessoas. E, boa parte do storytelling dos políticos consiste em trabalhar sobre as expectativas das pessoas. Mas hoje vivemos numa sociedade que procura uma maior prestação de contas e os políticos começam a entender que não basta contar – storytelling. É preciso fazer – storydoing – e explicar como e porque se faz.

Feito este preâmbulo, uma das coisas mais interessantes de analisar em Donald Trump é a forma como ele utiliza a linguagem, que é completamente diferente dos restantes candidatos. Na maioria dos casos e, considerando que os políticos mostram-se extremamente conscientes da importância que a linguagem e os termos utilizados têm e que qualquer gaffe seria utilizada contra eles – o que poderia significar o fim das suas aspirações políticas – Donald Trump ignora completamente esta questão e até a utiliza em seu favor. Enquanto empreendedor, utiliza toda a sua experiência comercial para vender sentimentos, mesmo que as ideias e os factos sejam espúrios, xenófobos, racistas ou simplesmente incompreensíveis.

Neste sentido, e a título de exemplo vejamos a resposta que Donald Trump deu no late-night talk show  “Jimmy Kimmel Live” sobre o comentário que “todos os muçulmanos devem ser impedidos de entrar nos EUA” e analise-se a sua semântica frásica.

Assim se constata que o melhor vendedor pode vender uma TV sem nada saber das principais características ou mais-valias (quem não se recorda do Senhor Oliveira de Figueira?). E, neste caso, não é o produto que interessa, mas os cidadãos! E para quem, durante anos ouviu políticos com um discurso cinzento, inócuo e sem um referencial, pode apenas querer tudo o que eles não são. Uma certa América revê-se em Trump e é isso que assusta. Da próxima vez que ouvir um discurso de Donald Trump, tenha atenção às frases curtas e simples e ao jogo de palavras!

 

@Gonçalo Carvalho, Public Affairs Manager

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