UXDE dot Net Wordpress Themes

Os sovinas da comunicação

Por em

A comunicação está na ordem do dia. São cada vez mais os que dela usam e, atrevo-me a dizer, abusam, que isto de comunicar tem (ou devia ter) também o seu peso, conta e medida. Mas depois há quem nunca tenha ouvido falar de tal coisa, quem desconheça o significado do conceito e que, talvez por isso, assuma perante este uma sovinice que não envergonharia o próprio Tio Patinhas. Que a poupe de tal forma, tão poupadinha, com medo que, com o uso, a comunicação se possa gastar.

É o que acontece com alguns dos transportes públicos da capital. E não falo das campanhas ou das iniciativas, que essas lá vão sendo conhecidas e divulgadas. Mas de outro tipo de comunicação, tão ou mais importante, que é a que se estabelece – ou devia estabelecer – com os clientes, ou seja, os passageiros. E essa comunicação é muito escassa. E aqui falo com conhecimento de causa, uma vez sou um desses clientes.

No Metro de Lisboa, quem por lá anda sabe que cada dia é um desafio e uma aventura. Entrar nas estações é mergulhar num mundo subterrâneo onde o conceito de comunicação é totalmente desconhecido. De quando em vez lá se ouve a expressão “perturbações na circulação”, que serve para justificar de tudo um pouco, desde avarias, atrasos, acidentes. Existe mesmo uma coisa chamada Carta do Cliente, que deixaria os mais ingénuos e crédulos como, confesso, também eu já fui, esperançosos de que esta coisa da comunicação funcionasse. Nessa Carta, que se encontra afixada em vários locais ao longo das diferentes linhas, consegue mesmo ler-se que cabe ao Metro “disponibilizar de forma percetível e rigorosa, em espaços próprios e através dos diversos suportes de comunicação com o cliente, a informação relevante sobre o serviço prestado, em situações normais ou de perturbação do serviço”. Bonitas palavras, mas que não passam disso mesmo. Na realidade, a comunicação aqui não é uma estrada de dois sentidos, mas uma via única e que normalmente dá acesso a um beco sem saída: vai do cliente, insatisfeito e que se queixa vezes sem conta, para o operador.

Nos comboios da CP, a situação não muda muito. Aqui, a partilha de informação depende das estações: se há umas em que esta existe, noutras a chegada ou partida do próximo comboio, a existência de avarias ou de “constrangimentos”, como lhes chamam, é um mistério bem guardado.

Na era da comunicação, onde o acesso à informação se pode fazer de tantas e tão diferentes formas, será pedir muito aos operadores que comuniquem com os clientes, que os informem sobre o que se passa, que lhes digam os tempos de espera e os esclareçam?

@Carla Mendes, Senior Content Manager

Other Posts

Post Tags:

About the Author

avatar

A Guess What é atualmente uma das mais inovadoras e criativas agências de comunicação e ativação mediática presente no mercado português. Disponibilizamos soluções holísticas de Relações Públicas, Assessoria de Imprensa, Gestão da Reputação, Eventos, Digital Engagement e Buzz Marketing.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>