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Jogos Olímpicos e a imagem do Brasil

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Estamos a aproximarmo-nos dos Jogos Olímpicos 2016 no Rio de Janeiro, mas a expectativa de um grande evento, que tradicionalmente atrai milhares de turistas, o que poderia ajudar a estimular a combalida economia da cidade, pode não se confirmar. Os meios de comunicação internacional têm sido implacáveis em ridicularizar o Brasil, pelo momento político e económico que está a passar. E, em particular, o Rio de Janeiro, pelas sucessivas escorregadelas que comprometem ainda mais a reputação da cidade para organizar um evento dessa magnitude, como recentemente o Expresso deu conta a propósito da chegada dos atletas Portugueses e a aparente falta de condições da aldeia olímpica.

Não obstante o atraso nas obras e a suspensão de outras, que ficaram apenas pelos projetos, existem factos negativos que ajudam a uma posição crítica da opinião pública internacional: a poluição da Baía de Guanabara, o colapso da ciclovia, a ameaça do vírus Zika, os níveis de segurança da cidade e o recente episódio da Agência Mundial Antidoping que anunciou a confirmação da  acreditação do Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem, um mês após a sua suspensão. Tudo isto pode contribuir para afastar turistas e colocar sérias dúvidas sobre a capacidade do Rio de Janeiro em servir de sede a uma competição com esta envergadura e segurança exigida.

Os danos na reputação da cidade são alimentados por reportagens dos meios de comunicação social a nível internacional, algumas com tom alarmista, que a epidemia do vírus Zika é uma forte ameaça à saúde dos atletas. E é claro que não está a ajudar que atletas de renome, incluindo mais recentemente o jogador espanhol Pau Gasol ter afirmado que teme a ameaça do vírus Zika e a segurança, no Brasil, mas acrescenta que “o compromisso com a seleção é maior do que o medo do que possa acontecer”.

Todavia, esta percepção da imagem do país não ocorreu nos últimos meses. Desde as manifestações a favor e contra o Governo, que encheram as ruas do Brasil , que os meios de comunicação têm reproduzido que “o caos tomou conta do país”, já mergulhado numa das suas maiores crises  - política e económica – dos últimos anos que tem mostrado a degradação ética e moral que envolve a elite política do país. Os debates sobre o processo de destituição e de impugnação de mandato dos principais órgãos de soberania, as denúncias de corrupção, que envolvem políticos e outras autoridades, como empresários e banqueiros, além dos números negativos da economia, tudo isso se repercute e serve para colocar a imagem do país no seu nível mais baixo.

Ao invés, porém, para o consultor político britânico Simon Anholt que criou o conceito de “nation branding” e o Anholt-GfK Nation Brands Index, os problemas políticos e económicos internos não costumam afetar a percepção geral da opinião pública estrangeira sobre determinada nação. Neste sentido, Anholt defende numa entrevista à BBC que o maior potencial de dano à “marca Brasil”, está no possível “choque de realidade” decorrente da exposição mediatizada do evento face aos problemas locais como a desigualdade e violência – fenómeno que já foi identificado aquando do Campeonato do Mundo de Futebol em 2014.

Assim, os dois riscos mais graves para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e, que podem, destruir a imagem do Brasil estão relacionados com a segurança pública e as infraestruturas de transporte. Neste sentido, será necessário garantir a segurança dos atletas e dos turistas. Por ora, o Rio de Janeiro está sob controlo, depois de um ano recorde em termos de crime, com um primeiro aviso, que passou pela detenção de várias pessoas que alegadamente faziam parte de uma célula terrorista e que preparava ataques. A segurança inclui 85.000 polícias e militares, o dobro dos disponibilizados nos jogos de Londres em 2012.

Estamos a chegar a um ponto em que os responsáveis pela organização dos Jogos do Rio 2016 precisam fazer mais do que afirmar sobre quão seguro e organizado o evento será. Os atletas, as pessoas não querem promessas, querem apenas ver fatos.

Há sete anos os cariocas celebravam a atribuição dos Jogos Olímpicos à Cidade Maravilhosa. O país começava a sonhar mais alto. Sete anos depois Lula da Silva está a ser investigado no âmbito da “Operação Lava-Jato”. Dilma já não é Presidenta, depois de um processo de destituição, também por questões ligadas a alegada corrupção ou por ter, supostamente, fechado os olhos. A crise política, profunda, está instalada, a económica é a mais grave do último século. Veremos se estes Jogos Olímpicos darão aos brasileiros motivos para sambar. Oxalá que sim!

http://expresso.sapo.pt/dossies/diario/2016-07-25-Portugal-encontra-apartamentos-sujos-e-sem-agua-nos-Jogos-Olimpicos
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160322_marca_brasil_tg
@Gonçalo Carvalho, Public Affairs Manager

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