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Hoje tive o privilégio de assistir à apresentação e discussão do Estudo Consumidor: Comportamentos e Atitudes, promovido pelo jornal Hipersuper e o IPAM, com a presença, entre outros, do Prof. Augusto Mateus, ex-Ministro da Economia.

As principais conclusões são bem elucidativas do efeito que a crise teve e terá a curto e médio prazo, no comportamento do consumidor:  tornámo-nos mais racionais, menos impulsivos na compra e analisamos melhor as nossas escolhas, não só ao nível do produto como do local onde vamos adquirir; não nos inibimos de utilizar cupões, descontos e promoções; informamo-nos mais e melhor sobre qual a melhor oferta, somos um consumidor mais qualificado.

E enganam-se aqueles que julgam que a crise afectou apenas as classes mais baixas, esta  deixou de ser premissa de hábitos estereotipados, de manhã posso comprar no Lidl e à noite no Gourmet do El Corte Inglés, ou seja, posso poupar de manhã para o meu luxo à noite.

Nasceu assim um consumidor poupador com menos rendimentos e menos alavancagem, com menos capacidade de endividamento na banca e que tem de gerir melhor e racionalmente os seus recursos. A sensibilidade para a poupança e para o preço, é por isso, uma característica evidente.

A procura por produtos e soluções simples são o reflexo dessa poupança, tendo assim menos desperdício, contribuindo para uma vida mais saudável e mais consciente ao nível da responsabilidade ambiental. Renovam-se assim, o hábito de receber em casa, das refeições na sala de jantar, do cinema no sofá … não é por acaso que o mercado da restauração foi dos mais afectados com a crise. Aliado a este revivalismo aumentam as preocupações ambientais, onde as marcas que se apresentam como amigas do ambiente, ganham junto do consumidor uma notoriedade que as pode diferenciar em relação às restantes.

Em conclusão as empresas e as marcas devem esperar por parte do consumidor uma maior ponderação na compra, o que se reflecte numa diminuição da compra por impulso, um aumento do conteúdo “verde”, um consumo e produtos mais responsáveis (que já é visível , por exemplo, na indústria automóvel) e um consumo mais maduro. Cabe agora às empresas e marcas saberem estar à altura do desafio que se apresenta para os próximos anos. ..  Ganha quem perceber primeiro o que mudou.

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