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Comunicação e desilusão nos Jogos Olímpicos 2016

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Infelizmente temos assistido a mais uma fraca prestação da representação portuguesa nos Jogos Olímpicos. Os resultados não aparecem e o descrédito generalizou-se na população portuguesa. 92 atletas em 16 modalidades e uma medalha de bronze é manifestamente pouco. Para mais, os processos de comunicação e mensagens transmitidas pelos meios de comunicação também não ajudam até porque na maioria dos casos a gestão de expectativas tem sido particularmente infeliz pois, como diz o povo, “a bota não bate com a perdigota”.

Fase I: Antes dos Jogos, o sonho. Reportagens e artigos sobre a superação dos atletas com especial destaque para Nelson Évora. Ângulos de abordagem emocionais que culminavam com mensagens de grande esperança. Um meio escreveu “Apesar de não ser um dos países mais medalhados, a comitiva Lusa já teve grandes momentos na competição”, outro “O orgulho do sangue português”, “Atletas prometem dar tudo”. Cenários idílicos criados no sentido de potenciar a expectativa “é desta que conseguimos mais medalhas que o Azerbaijão”.

Fase II: Durante os Jogos, a expectativa. “Atletas apontam às medalhas”, “Atletas sonham”, “É desta!”, foram algumas das parangonas utilizadas para sublinhar a participação portuguesa mesmo antes das provas. Tudo bem empolado no sentido de fomentar uma crença que a realidade tratou de rectificar.

Fase III: Depois da prova: as desculpas. Foram algas, foi o adutor, foi a idade, foi a pressão, etc. Em Portugal temos um jeitinho especial para arranjarmos desculpas criativas e originais. E somando a isso, alguns atletas – nem todos – decidiram exteriorizar a mensagem “estou contente por ter levado o diploma olímpico”, revelando pouca ambição.

É natural que os meios de comunicação trabalhem as mensagens no sentido de nos levar a acompanhar, através dos mesmos, o desenrolar dos acontecimentos no Rio. Mas sejamos francos, enquanto não for definida uma estratégia a longo prazo por um Comité Olímpico que realmente sirva os propósitos para os quais foi criado, nunca conseguiremos mais do (pouco) que hoje temos.

É claro que mais honestidade comunicacional e noção da realidade, na partida e chegada, tinham ajudado a minorar o sentimento de desânimo.

@Jorge Azevedo, Managing Partner, Guess What

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